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Sobre (tentar) ser como o Rio.

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Muito tempo sem escrever, diz o título do último texto que foi desde cinco de janeiro. Alguém está me trapaceando e enganando em relação ao tempo, talvez seja ele mesmo. Não acho que não está rendendo, pelo contrário. Tenho conseguido cumprir (quase) tudo que me proponho mas ainda assim, parece que bate dez da noite muito rápido, misericórdia. Viver uma vida cruzada com o Brasil atrapalha ainda mais, é seis da tarde aqui mas já é 10 da noite lá, e se eu bobeio fico mais um dia sem falar com minhas irmãs. É um porre, literalmente viu, se bobear dá até ressaca. Fora isso, tem a minha eterna confusão se quem marcou comigo foi no horário daqui ou de lá, deveria ter uma regra e ser óbvio, e eu juro que tentei e tento, mas de verdade, cada um é um, e nessa vou levando de uma maneira mais light e quando vejo estou confusa de novo. Ontem eu esqueci a dentista do meu filho, para honra e glória do senhor Jesus ela também esqueceu. Que alívio! Na verdade se uma tivesse le...

Cinco de janeiro

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Hoje é uma data especial no meu relacionamento. Fazemos aniversário de casório. Estamos juntos a pouco tempo, relativamente. Há 4 anos atrás estávamos quase nos conhecendo, mas não planejávamos nada disso. Vez ou outra sonhávamos, desejávamos mas não ousávamos pensar que poderia ser real. Vinhamos ambos de relacionamento e vivências sofridas, em aspectos distintos mas ainda assim desafiadores. E em outros aspectos, completamente diferentes, eu também era muito desafiadora; Eu de tanto estar sozinha não acreditava mais muito em amor conjugal, ele de tanto estar acompanhado de maneiras difíceis também estava descrente. Foi um encontro bonito, e nos encontramos num momento de muita mudança para ambos. Estávamos em franco processo de revisão e mudanças, mergulhados em uma reforma íntima que nos possibilitou esse encontro. Nos encontramos a partir do nosso melhor, e não de nossas neuroses, e isso é muito raro, e foi fruto de muito trabalho pessoal de ambos. E uma vez que i...

É Natal

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Quase Natal mesmo, mas ufa, consegui um tempinho pra vir aqui escrever. Foram dias muito corridos esses, completamente diferente da minha correria de fim do ano do Brasil. Outras prioridades e situações, mas ainda assim, aquela sensação de que 24 horas é pouco. Curso pra tirar carta, quase habilitada (uhull, o pior já foi). Estou reaprendendo a gerir meu tempo, quando temos uma agenda cheia de compromissos formais (como pacientes, entrevistas e etc), fica mais fácil olhar o livre e encaixar. Mas quando temos a permissão e nos permitimos construir o dia, semana e sucessivamente nosso tempo de maneira mais orgânica ficamos bastante perdidos, porque afinal, a prioridade sou eu, mas eu estou em tudo que faço; e eclética como sou, fica difícil encontrar minha prioridade circunstancial, material ou concreta. Sendo assim, como já disse num texto anterior, estou tentando estar presente. Em cada coisa, cada momento. Comer comendo, tomar banho tomando banho. Assistir assistindo. Descans...

A vida é neve derretendo!

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Comecei esse texto dia 08/12, no dia seguinte a neve em College Station, mas só olhei ele de novo e terminei hoje.                 ____________________________________________________________ Eu quis muito conseguir um tempo hoje para escrever. Queria muito que esse texto saísse ainda sob meu encantamento e alegria de ter visto a neve. Pode parecer uma grande bobagem, mas foi realmente muito especial. Para os que convivem comigo não é novidade o quanto tenho me ligado a natureza nesse processo de adaptação. O lugar onde moro favoreceu isso, muito verde, animais e eu fui ficando cada vez mais próxima. A adaptação me convidou para alguns mergulhos e junto com eles fui explorando meu feminino. Reli mulheres que correm com os lobos, a ciranda das mulheres sábias, e fui assim aos poucos aprendendo a fazer daqui a minha casa. Me integrando a essa natureza e me sentindo pertencente e parte dela, o que hoje creio que me acompanhará em qualquer...

Sobre o humor como (doce) remédio!

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Uma pessoa próxima algum tempo atrás me pediu pra abordar sobre a ironia em um texto, ela estava e ainda deve estar, com dificuldade de relacionamento devido a isso. Não tive tempo de investigar se ela falava realmente sobre ironia, mas imagino que na verdade ela queria falar sobre cinismo e sarcasmo. É um assunto bom, mas antes de falar dele precisamos separar o que é humor, a ironia e finalmente o cinismo e sarcasmo. Estávamos em casa conversando ontem, sobre piadas e humor, e como vamos fazer pra entender as piadas comuns e corriqueiras daqui dos Estados Unidos. O marido e filho tem um humor bem parecido e peculiar. Gostam de piadas literais e simples. Tipicamente masculino. Eu e a filha debochamos e ironizamos sobre o alcance inteligente das tais piadas, usamos mais de ironia e deboche, tipicamente feminino. De qualquer forma rimos muito juntos e tentamos fazer piada de tudo. Rimos muito de nós mesmos e isso é um excelente recurso para suportar as dificuldades e mesmo o téd...

...6 semanas mais tarde.

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Mais uma semana sem escrever...tá ficando recorrente. Essa semana faltou inspiração mesmo. Faltou também organização de idéias e tempo. Essa coisa de se adaptar toma muito tempo, mais do que eu esperava e imaginava. A minha sensação é que meus neurônios estão trabalhando dobrado, malhando pesado mesmo, mas numa altitude que não estão acostumados, ou seja, estão com um rendimento inferior e com uma carga de trabalho extra. Receitinha de sucesso. Acho que por uma questão de característica própria tenho o desejo de dominar (no sentido de saber), tudo o que se passa a minha volta. Os caminhos que comumente faço, as necessidades das crianças, as relações com escola, trabalho e etc, os meus desejos e necessidades e etc. Sempre estive acostumada a encontrar todas as respostas, dicionário, google e gente mais inteligente e informada que eu sempre foi um bom caminho. Guimarães Rosa diz que é junto dos bão que a gente fica mió. Mas voltando sobre essa necessidade de saber e de do...

6.935 dias de Amantalinta.

Eu já fiz muitos textos como esse, mas a cada ano é uma tarefa mais difícil. Primeiro porque meu aniversário precede o dela, então ela escreve primeiro me deixando sem palavras, e depois porque sempre tenho a sensação que tudo o que podia ser dito sobre essa relação já o foi feito. Mas não. Sempre próximo ao aniversário dela ficamos nostálgicas, recordando, com um ar de emoção e expectativa. Esse ano não seria diferente, mas foi. A distância trouxe mais expectativa e desejo de faze-la feliz. Hoje eu pensei muito sobre isso, 6.935 dias atrás eu estava caminhando para ajudar na dilatação. E um pouco depois ela veio, e como veio. Dilatou muitas outras coisas na minha vida, mas a principal delas foi meu coração. Nunca mais ele foi o mesmo. Nem mais nada. Há 6.935 dias nascia uma mãe, que se renova constantemente no desafio de educar, cuidar, nortear e acima de tudo amar. A conta é em dias mesmo, porque nada é tão diariamente construído como uma relação filial. Não,...