27 de agosto.
Ontem foi uma data especial.
Dia do psicólogo, uma data feliz, cheia de parabéns e reconhecimento.
Data de regozijo, quando pelas palavras que nos chegam percebemos um bom caminho traçado, um bom plantio.
Muito obrigada a todos. Minha gratidão aos amigos, pacientes, familiares e conhecidos.
Minha gratidão aos meus pacientes independente de saberem se era ou não dia, aos meus orientandos, em sua maioria também psicólogos.
É no caminhar do dia a dia, nos encontros e desencontros, nos mergulhos e nos respiros que a profissão se dá. Na interface da presença de cada um que a minha presença se integra.
Não sou terapeuta, psicóloga, analista, psicoterapeuta corporal, winnecotiana, bioniana, freudiana e etc...me faço tudo isso a cada encontro.
A cada necessidade, a cada resposta ou em busca de cada uma. A cada pergunta, a cada questão, a cada sensação e movimento. Meu e do outro. Do outro e meu.
Minha gratidão por essa entrega e integra-ação.
Nem sempre gosto do que encontro.
Tem muito amor mas também muita dor. Tem muita coisa que a gente luta a vida inteira pra não ver, eu, você e o outro. E tem vezes que esse outro é nosso paciente, e nos traz a tona justamente aquilo que fugimos tanto.
O outro não tem culpa, bota essa na conta do universo e na capacidade que ele tem de utilizar as ferramentas que dispõe para nos trabalhar.
Pra isso serve supervisão, terapia, formação, analise.
Não se faz analista na universidade, analista se faz na própria analise, como não se faz psicoterapeuta corporal em um curso de 3 anos ou 6 anos, se faz em processo, no dia a dia, no enfrentamento, no laceamento da couraça.
Não se faz psicólogo clínico e mesmo nas demais áreas, em 5 anos de curso, se faz num processo consciente (quando dá rs) de aperfeiçoamento e construção humana e pró humana.
Fiquei pensando sobre o fato de que essa data é a comemoração da homologação da lei que regulamentou a profissão de psicólogo. Foi em 27 de agosto de 1964 que essa profissão ganhou nome e direito de exercício oficial.
"Somos tão jovens..."
Quantas pessoas de 54 anos você conhece bem resolvidas, em paz mesmo, vivas, pulsantes, organizadas e que respiram a pleno vapor?
Na verdade pra mim são bem poucos... mas calma, daqui mais 54 anos poderemos encontrar um panorama diferente. Dependendo de como plantarmos hoje, na nossa caminhada, na nossa cura mas também na cura do mundo.
Se o povo de 64 não tá lá muito pleno, o que dizer da psicologia.
Dos psicólogos que começaram e terminaram a graduação sem psicoterapia (seja ela de qualquer abordagem). Sem se encarar, sem se conhecer. Sem deitar do divã norteados pela figura de alguém que os apoiasse nesse caminho pessoal tão pedregulhoso como é a estrada pro Self.
O que dizer de quem nunca mais leu (acreditando e desejando que leu na universidade), não sentou a bunda num banco de pós, especialização, grupo de estudo que seja.
De quem não fez e não faz supervisão, nem choque de realidade e provavelmente nada de meditação.
Não tem um caminho só, pelo contrário.
As diversas abordagens da psicologia nos mostram que pra essa pluralidade humana, uma pluralidade não menor de possibilidades de atuação, e é natural que assim seja.
Ainda assim, não conheço nenhuma abordagem que não nos faça de ferramenta do nosso trabalho. Que não absorva ou receba os afetos do outro primeiramente no nosso ouvido, no nosso corpo, que não passe o conteúdo pelo nosso psiquismo.
O que dizer aos amigos e colegas de profissão é que estamos nesse momento, construindo a cara que nossa senhora psicologia terá daqui mais 54 anos. Com 108 anos, como será a visão que a sociedade terá dela.
Quais serão as piadas e mensagens desse dia no futuro?
Teremos lá a noção de saúde psíquica que se tem hoje de saúde física?
Que mundo será que teremos quando entendermos que nossa saúde física é filha da nossa saúde psíquica, que a somatização se dá quando o sistema psíquico e mental se abala.
Pode ser que eu assista esse mundo, e essa comemoração. Pode ser que não.
Mas que cada um possa se ater com sua responsabilidade quando no exercício desse trabalho e na construção desse fazer psicologia.
Que possamos nos conectar com quão delicado e importante é isso, não na perspectiva do narcisismo e onipotência mas do afeto e influência no processo alheio.
Que nossa saúde seja importante pra que assim o outro possa encontrar ressonância e congruência de objetivos com o profissional a que se destina.
Que a nossa vida desperte a vida no outro e que nossa sombra possa ser tratada no lugar correto e momento oportuno, afim de que ela não atue na vida do nosso paciente.
Que possamos nos encontrar na humanidade e humildade de entregar nossa cabeça a outrem, e cuidar de nós mesmos, para que seja possível cuidar do outro.
E que assim sendo, que sejamos ferramentas recíprocas de desenvolvimento humano e para o humano.
Termino num brinde aos que praticam o encontro consigo mesmo, que se trabalham, se cuidam e se curam. Aqueles que caminham silenciosamente construindo a si mesmo e compondo essa tal psicologia, aqueles que se enfrentam e enfrentam a clínica, as comunidades, os CAPS, judiciários, escolas e demais instituições, diariamente.
Que esse brinde seja coroado pela citação de Jung e que possamos seguir seu bom conselho.
"Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana".
E que não esqueçamos de nenhuma parte dessa citação.
Caminhemos.
Dia do psicólogo, uma data feliz, cheia de parabéns e reconhecimento.
Data de regozijo, quando pelas palavras que nos chegam percebemos um bom caminho traçado, um bom plantio.
Muito obrigada a todos. Minha gratidão aos amigos, pacientes, familiares e conhecidos.
Minha gratidão aos meus pacientes independente de saberem se era ou não dia, aos meus orientandos, em sua maioria também psicólogos.
É no caminhar do dia a dia, nos encontros e desencontros, nos mergulhos e nos respiros que a profissão se dá. Na interface da presença de cada um que a minha presença se integra.
Não sou terapeuta, psicóloga, analista, psicoterapeuta corporal, winnecotiana, bioniana, freudiana e etc...me faço tudo isso a cada encontro.
A cada necessidade, a cada resposta ou em busca de cada uma. A cada pergunta, a cada questão, a cada sensação e movimento. Meu e do outro. Do outro e meu.
Minha gratidão por essa entrega e integra-ação.
Nem sempre gosto do que encontro.
Tem muito amor mas também muita dor. Tem muita coisa que a gente luta a vida inteira pra não ver, eu, você e o outro. E tem vezes que esse outro é nosso paciente, e nos traz a tona justamente aquilo que fugimos tanto.
O outro não tem culpa, bota essa na conta do universo e na capacidade que ele tem de utilizar as ferramentas que dispõe para nos trabalhar.
Pra isso serve supervisão, terapia, formação, analise.
Não se faz analista na universidade, analista se faz na própria analise, como não se faz psicoterapeuta corporal em um curso de 3 anos ou 6 anos, se faz em processo, no dia a dia, no enfrentamento, no laceamento da couraça.
Não se faz psicólogo clínico e mesmo nas demais áreas, em 5 anos de curso, se faz num processo consciente (quando dá rs) de aperfeiçoamento e construção humana e pró humana.
Fiquei pensando sobre o fato de que essa data é a comemoração da homologação da lei que regulamentou a profissão de psicólogo. Foi em 27 de agosto de 1964 que essa profissão ganhou nome e direito de exercício oficial.
"Somos tão jovens..."
Quantas pessoas de 54 anos você conhece bem resolvidas, em paz mesmo, vivas, pulsantes, organizadas e que respiram a pleno vapor?
Na verdade pra mim são bem poucos... mas calma, daqui mais 54 anos poderemos encontrar um panorama diferente. Dependendo de como plantarmos hoje, na nossa caminhada, na nossa cura mas também na cura do mundo.
Se o povo de 64 não tá lá muito pleno, o que dizer da psicologia.
Dos psicólogos que começaram e terminaram a graduação sem psicoterapia (seja ela de qualquer abordagem). Sem se encarar, sem se conhecer. Sem deitar do divã norteados pela figura de alguém que os apoiasse nesse caminho pessoal tão pedregulhoso como é a estrada pro Self.
O que dizer de quem nunca mais leu (acreditando e desejando que leu na universidade), não sentou a bunda num banco de pós, especialização, grupo de estudo que seja.
De quem não fez e não faz supervisão, nem choque de realidade e provavelmente nada de meditação.
Não tem um caminho só, pelo contrário.
As diversas abordagens da psicologia nos mostram que pra essa pluralidade humana, uma pluralidade não menor de possibilidades de atuação, e é natural que assim seja.
Ainda assim, não conheço nenhuma abordagem que não nos faça de ferramenta do nosso trabalho. Que não absorva ou receba os afetos do outro primeiramente no nosso ouvido, no nosso corpo, que não passe o conteúdo pelo nosso psiquismo.
O que dizer aos amigos e colegas de profissão é que estamos nesse momento, construindo a cara que nossa senhora psicologia terá daqui mais 54 anos. Com 108 anos, como será a visão que a sociedade terá dela.
Quais serão as piadas e mensagens desse dia no futuro?
Teremos lá a noção de saúde psíquica que se tem hoje de saúde física?
Que mundo será que teremos quando entendermos que nossa saúde física é filha da nossa saúde psíquica, que a somatização se dá quando o sistema psíquico e mental se abala.
Pode ser que eu assista esse mundo, e essa comemoração. Pode ser que não.
Mas que cada um possa se ater com sua responsabilidade quando no exercício desse trabalho e na construção desse fazer psicologia.
Que possamos nos conectar com quão delicado e importante é isso, não na perspectiva do narcisismo e onipotência mas do afeto e influência no processo alheio.
Que nossa saúde seja importante pra que assim o outro possa encontrar ressonância e congruência de objetivos com o profissional a que se destina.
Que a nossa vida desperte a vida no outro e que nossa sombra possa ser tratada no lugar correto e momento oportuno, afim de que ela não atue na vida do nosso paciente.
Que possamos nos encontrar na humanidade e humildade de entregar nossa cabeça a outrem, e cuidar de nós mesmos, para que seja possível cuidar do outro.
E que assim sendo, que sejamos ferramentas recíprocas de desenvolvimento humano e para o humano.
Termino num brinde aos que praticam o encontro consigo mesmo, que se trabalham, se cuidam e se curam. Aqueles que caminham silenciosamente construindo a si mesmo e compondo essa tal psicologia, aqueles que se enfrentam e enfrentam a clínica, as comunidades, os CAPS, judiciários, escolas e demais instituições, diariamente.
Que esse brinde seja coroado pela citação de Jung e que possamos seguir seu bom conselho.
"Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana".
E que não esqueçamos de nenhuma parte dessa citação.
Caminhemos.

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