Sobre a arte de começar

Ultimamente eu venho vivendo muitos começos e alguns recomeços, achei prudente então começar por aqui.

Começar é lindo, mas trabalhoso.

Recomeçar talvez ainda mais, uma vez que recorremos aos começos anteriores para servir de base, e nem sempre isso é possível.

Ao longo do tempo, eu tive oportunidade de acompanhar muitas pessoas em seus começos ou recomeços, e não raro, frente a dificuldade deles em começar, eu dizia a frase tipica do "enredo original":Comece pelo começo

Então lá vou eu, começar pelo começo.

O grande lance, é que o começo certinho, normalmente não está cravado. No vídeo da vida não tem título, nem seletor de cenas, pra gente buscar e achar certinho o começo de alguma coisa; normalmente colocamos o começo no nosso ponto de consciência acerca do fato em questão, e nem isso me ajudaria aqui, uma vez que escrevo desde sempre, e sempre é sempre mesmo.

Talvez possa chamar de meu começo nesse sentido quando resolvi pensar em tornar publico esses escritos. Sim sim, esse é um bom começo.

Junto com o começo de tornar publico vieram alguns questionamentos:

Por que escreveria? Para elaborar, gastar ideias, dar vazão ao meu potencial criativo, conversar comigo mesma e quiça para ser lida, iniciando assim um diálogo (ou não).

Eu quero ser lida? Não tenho certeza. Parte minha diz que sim. É um legado, uma parte minha, que gostaria de dar ou emprestar aos outros.
Outra parte minha diz que não. Não controlamos nossas palavras e expressões quando elas saem do privado, na verdade quando saem da boca já danou-se, estando na vida privada ou não. 

Freud aconselhou: "O homem é dono do que cala, e escravo do que fala". 

Pelo jeito não segui o conselho, e nem ele.

Se não tenho certeza se quero ser lida, talvez nem precise me apresentar. 

MÁAA O QUE?

Perder a chance de uma apresentação. Não hoje.

Apresentar-se é uma ótima oportunidade de se reeditar, reinventar... e eu não vou perder isso.

Então...

Meu nome é Marielen mas geral me chama de Mari, família e amigos de infância de Má, marido de Amor, crias de Mãe, galera do Artha de Vanessa, algumas amigas de Gata, as que querem me irritar de Amiga, uma especial de Baby, outra de Lisa e eu, graças a Deus não me chamo pelo nome, senão não saberia qual usaria, porque adoro todos esses aí. Isso ainda sem pensar nos adjetivos que também viram apelidos, teria desde Bela a Sistemática. 

Pelo menos a sogra me chama de Bela, ufaa!

Sou psicóloga, atuei em empresas, RH, área social, jurídica e clínica. Atualmente estou de férias, por tempo indeterminado. Férias necessárias e merecidas (assunto pra outro dia).

Sou casada, tenho dois filhos, perdi minha cachorra recentemente (Uau, já vai fazer quase três meses) e acabei de me mudar pros Estados Unidos (Uau2, já vai fazer um mês).

Eu gosto de muitas, muitas, muitas coisas. E nessa de me reinventar, recomeçar, estive pensando muito sobre isso.

Minha mãe, um pouco antes de mudar me tranquilizou com uma verdade sobre mim. Das milhares de coisas que gosto (e quando digo isso é gostando de verdade, podendo dizer inclusive, amo), dentre todas essas, ela ressaltou que amo aprender, e que sendo assim todo aprendizado me motiva, alegra e faz viva. Acho que é assim um pouco com todo mundo, mas é que aqui vou falar mais frequentemente sobre mim. E sim, amo muito aprender.

Eu faria um adendo a fala dela, amo aprender e amo gente.

Aprender sobre gente então é uma paixão ardente, e quando digo gente incluo eu mesma, obviamente.

Do que eu não gosto, eu não lembro muito, e não costumo usar muito essa expressão, sempre digo que tenho dificuldade em lidar com... aí fica mais fácil identificar e encontro uma porrada de coisas: gente mal educada, mal humorada, vitimista, mimimi e invasiva. De dias nublados (principalmente quando seguidos), de muita tecnologia, de muito vídeo e áudio (especialmente no meu whatsapp - mas chamada de vídeo eu to amando), desses insetos que gostam de ficar perto, de cheiro de suor (cheiro poderia render uma categoria a parte), de que emprestem coisas minhas e não devolvam (livros então, é punk), de criança sem limite, de pais sem limites então nem se fala, de bebida quente e de gente fria. 

É, então parece que eu já me apresentei né.

Sobre o começar esse projeto antigo de escrever, imaginei que agora seria um bom momento.

O título lá em cima é legitimo, me sobram palavras e me faltam muitas outras.

Literalmente, porque a vida em inglês no Texas, para um brasileiro não é lá algo So easy, e também simbolicamente falando, uma vez que perco as palavras quando me emociono, quando me deparo com algo bruto, inusitado, enfim...e aí, aos poucos, vou organizando isso, elaborando e co-construindo, buscando palavras, mas nem sempre as encontrando.

Então esse espaço é um pouco disso também.

Quero zelar para que ele não tenha um titulo que limite, nem seja reduzido a um tema especial, porque ele é um pedaço meu, e sendo assim, a você que está chegando agora, e que talvez nunca tenha conversado comigo, seja bem vindo a uma nova definição de ser eclético.

Por ultimo, uma preocupação e aviso. 

Se você foi meu paciente, reveja se deve ler isso e continuar aqui. Não por mim, quando me abri a essa possibilidade de escrita e expressão pensei muito sobre isso. Mas por você. Certamente você tem uma imagem construída sobre mim, e talvez queira preserva-la. Não estou dizendo que o que encontrará aqui será melhor ou pior... mas é que as vezes, lemos ou visitamos algo que amamos, e foi muito especial, tão tão, que não queremos reler ou revisitar, porque queremos aquilo daquela maneira como está, para sempre. 
E isso é só uma ressalva.

Se você decidir ficar, não se preocupe, seus nomes, segredos e tudo o mais estão a salvo e em segurança, esse espaço é meu, sobre mim e mais ninguém.

No entanto, todavia e sobretudo, a minha gratidão eterna, a cada um que passou pela minha vida como paciente, levaram de mim e deixaram muitas coisas. Incrível essa relação que pode ser de tanto amor, de tanta proximidade e distancia, tão profunda (isso também assunto para outro dia).


 Tem também um agradecimento, a três amigas que me incentivaram muito a começar:

A primeira é minha Baby e sempre quer capas de rosas.

A segunda se chama Amor, e saberá que aqui falo dela.

A terceira, uma mãe incrível de uma criança como eu. (Espero que ela se reconheça aqui também).

Por ultimo, ao marido, incentivador diário. Razão concreta de hoje eu estar aqui, podendo escrever isso, em terras americanas, tão distante de casa. 

Ele fez isso valer a pena, e faz todo dia.

Comentários

  1. Quanta autenticidade, somente quem a conhece para saber o quão linda é a alma dela, não existe palavras para descrevê-la, mesmo longe estarei acompanhando e torcendo pelo seu sucesso e felicidade...Bjs

    Maísa Mielli

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  2. Que delícia de texto! Eu, que há tempos sou fã do que você comunica, fico feliz de poder acompanhar um pouquinho dos seus devaneios. Conteúdo não vai faltar, pois sei como você é boa de prosa! Estarei sempre por aqui e por onde você for. ❤️ Luana

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  3. Querida, sinto-me muito feliz pelo convite... você faz parte da minha história de vida, das melhores lembranças de uma professora alfabetizadora. Quando chegou a mim, já sabia ler e escrever. Tenho muito orgulho de compartilhar destes textos que, além de emocionantes e bem escritos, dizem mais sobre você, como se mesmo distantes, estivéssemos tão perto. Uma das coisas mais lindas da vida é a gratidão: aos percursos, aos processos, aos sucessos e aos fracassos. Gratidão pela possibilidade de viver, de aprender, de começar e de recomeçar sempre. Gratidão às pessoas especiais. Sou muito grata à primeira mensagem sua que recebi no facebook, pois foi ali que nos reencontramos. Também vivo um recomeço! Não tenho medo! Quero ser feliz... Desejo a você toda felicidade do mundo e sei que onde quer que estejamos podemos ser presença na vida das pessoas. Amei este espaço!

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  4. BA guria... vc escreve tão gostoso quanto fala... mais um apelido Maris porque vc agora tá no plural falando pra muitos, chegando a tantos ouvidos... sensação de multiplicação... é muita coragem... 😍😍😍😍

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  5. Engraçado como a palavra nos revela um mundo, como um convite à viagem, um percurso em si mesmo.
    Sinto como um presente que você nos dá, de poder viajar com você (e as palavras) por esse novo caminho tão especial.

    Cris

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