Dia de celebrar o amor!
Hoje é Valentine's day! Dia de celebrar o amor!
Aos poucos eu vou me sentindo mais a vontade e pertencente as tradições americanas. Vou incorporando da melhor maneira possível ao nosso jeito brasileiro, adaptando e construindo uma terceira coisa. Uma forma de estar aqui que soma nossas raízes com os novos galhos e que multiplica nossos conceitos e aprendizados.
No começo de tudo, uma pessoa querida me recomendou que eu jamais comparasse. Foi um conselho e tanto.
Na comparação jamais estamos inteiros, sempre sendo roubados pelo que podia ser e não é.
Simplesmente não é. Ou é.
Lidar com o real e presente é sempre a melhor escolha, e talvez a única saudável diante de adversidades e desafios.
Lógico que tem muitas coisas que eu não gosto nessa cultura...
Esse gosto pelas caçadas e armas, essa mania que eles tem de ter o maior carro possível e assim escolherem a maior caminhonete disponível, e se não bastasse, ir lá e colocar rodas maiores ainda (várias vezes vejo o carro do Gru do meu malvado favorito pelas ruas, e morro de medo de ser ele mesmo e me passar por cima hahaha).
Os eternos formulários para tudo, as evidentes segregações sociais, o patriotismo quando vira fanatismo, e etc.
Claro, que a eleição do que é bom ou ruim, guardadas as questões concretas também envolve nossas identificações, então certamente existem os brasileiros que aproveitam outras coisas dessa cultura, e tudo bem também.
De algumas coisas a gente ri, outras fingimos que não vemos, outras ainda nos protegemos, enfim, mas esse é o lado que eu diminuo o volume, pra aumentar o das coisas boas e assim poder continuar de uma maneira mais feliz e saudável no geral.
Esse mês fez 8 meses.
Ainda falta um tanto pra um ano, digo isso, porque percebi que só saberei plenamente como é viver aqui quando tiver passado todas as estações. Como as estações do ano são bem demarcadas pelas condições climáticas, se vive uma vida por estação. Com hábitos bastante diferentes entre si, desde ofertas de alimentação até comportamento cotidiano mesmo.
Sem falar na paisagem, que altera completamente, o que é bonito de ver e reacende nossa crença na renovação. A certeza de que o verde e o calor chegará de novo acalenta o coração.
Bom, dito tudo isso, eu amei viver o ação de graças, o dia da gratidão e gentilezas, desfrutei e curti muito a magia do Natal, todas as tradições e rituais, embora seja uma festa bem voltada para o infantil (e para honra e glória do Senhor Jesus eu tenho criança), aproveitei muito e incorporei tudo o que pude.
Adoro um ritual mesmo, acredito (e tenho teorias e muitas práticas que comprovam) que eles nos auxiliam no processo de internalização de conceitos, aprendizados, situações e sentimentos, ou seja, prato cheio pra mim.
E eis que chegou o Valentine's day! O dia de celebrar o amor, o amor entre casal, filhos, amigos, comunidade, um brinde ao amor de maneira geral!
Eu achei que nada me faria tão encantada quanto o Natal, mas confesso que está sendo um páreo duro.
Também gente, verdade seja dita, quem tem olhar de ver e quer se encantar, acha motivo todo dia, que dirá com nome e data marcada.
Mas é lindo de ver, tudo vermelho, corações para todo lado, as trocas de cards e lembranças na escola, a dedicação de cada um pra fazer tudo isso.
Ontem enquanto eu comprava as coisas (sim, ontem, na véspera porque eu sou brasileira mesmo), haviam vários senhores comprando também, indecisos como eu, compartilharam umas boas duas horas comigo nos corredores do Seasonal do Walmart.
Provavelmente por motivos diferentes, mas eu também estava bastante indecisa, não sabia bem o que as outras mães costumam preparar e o que seria mais legal pros amiguinhos do meu filho, ele não estava comigo (Graças a Deus, porque eu tinha teto orçamentário), então isso me fez perder bastante tempo tentando pensar o que agradaria ele e assim a turminha geral.
Já os senhores, claramente queriam agradar ao máximo, pegavam uma coisa, olhavam, comparavam, colocavam no lugar, perguntavam e assim foi.
Pra mim a celebração do amor começou lá, com o capricho de cada um na escolha do que mais fosse representar o tal Amor.
Depois preparamos as sacolinhas, meu filho não queria fazer pra todos, sob a queixa de que não são todos meus amigos... mas a regra é clara, para todos e com etiquetas de endereçamento (o que nos ajudou muito).
Eu expliquei que era um gesto importante, pra celebrar o amor, lembrei a prática do evangelho, de amar mais os que são difíceis pra gente, aquele blablablá materno conhecido (mas que as vezes tá em falta no mercado - falo disso outro dia)... enfim, fiz meu papel, mas bom mesmo e significativo pra ele foi colocar mais chocolate pro amiguinho que sofre bullyng, borrachas e lápis escolhidos especificamente pra cada amigo, porque ele gosta mais disso ou daquilo, e a cereja do bolo, a borracha you're my best friend pro melhor amigo.
Um detalhe "maligno", colocamos um lápis rosa pro colega com que as vezes tem comportamento machista e que sempre faz brincadeiras chatas com um dos melhores amigos dele. Foi sem querer querendo. (E que esse texto não seja visto nem traduzido por ninguém da escola, Amém)
Tarefa feita.
E enquanto foi feita nos permitiu pensar e sentir sobre todas essas coisas, nos ampliou o repertório de vida e gerou uma energia do fazer junto que preenche a casa, a infância e gerando pro universo esses fluídos de amor e compartilhamento.
Sempre que podemos escolher entre comprar coisas prontas ou fazer com nossos pequenos é melhor que seja feito, pelos ditos rituais e tudo que vem com eles.
Eles nem sempre gostam (depois que crescem, na hora é sempre lindo), tem uma queixa eterna aqui em casa da minha mais velha pelas "belíssimas" fantasias que eu sempre fiz na infância dela cof cof cof... mas não vou quebrar o encanto desse texto falando sobre a minha inaptidão para trabalhos manuais, a lição pra ela era valorizar o esforço hahahah.
Por último sobrou algumas coisas, coloquei uns chocolatinhos nos saquinhos e entregamos para as pessoas do STOP de envolta da escola. Aquelas pessoas que ficam parando o transito para que as crianças atravessem. Não sei se é um serviço remunerado porque aqui tem muito voluntariado para os idosos, mas que seja, eles acordam muito cedo e estão lá, faça chuva ou faça sol, calor ou frio, e como tem feito frio.
Um deles me chama a atenção em especial, um senhor negro que fica do outro lado tem uma expressão peculiar, sempre parece estar triste ou as vezes carrancudo mas sempre também está lá, cedo e tarde, fazendo o trabalho dele e sendo super cuidadoso com as crianças. Quando entreguei o saquinho pra ele me emocionei, foi o sorriso mais lindo que eu podia receber.
Eu não sabia de onde viria a flechada fatal do amor quando me aventurei nesses preparativos e rituais, e foi do movimento menos arquitetado, foi da sobra dos doces que gerou a boa ideia e assim o sorriso que me mais me encantou e emocionou hoje.
O marido atrasou, tava uma super neblina, tivemos que dar voltas para conseguir o momento de pega-los na calçada porque eu estava de pantufa e não dava pra descer, mas no fim deu certo e foi lindo.
Sim, também teve presente e mimo do marido, também dei o meu, também teve felicitações e declaração pras amigas, vários Happy Valentine's day distribuídos e recebidos, mas aquele sorriso... aquele sorriso inundou meu coração e me fez lembrar pra que mesmo que falamos de celebrar o amor.
Desejo que essa energia toda de amor possa ser aglomerada e expandida a todos os seres e cantos do universo.
Sei que cada um recebe na proporção do seu alcance mas nossa tarefa é compartilhar e expandir e que aqueles que puderem recebam, porque precisar, certamente todos nós precisamos e sobre merecer, será sempre com Deus.
Por hoje é só,
Happy Valentine's day for all! Feliz Valentine's para todos!
Aos poucos eu vou me sentindo mais a vontade e pertencente as tradições americanas. Vou incorporando da melhor maneira possível ao nosso jeito brasileiro, adaptando e construindo uma terceira coisa. Uma forma de estar aqui que soma nossas raízes com os novos galhos e que multiplica nossos conceitos e aprendizados.
No começo de tudo, uma pessoa querida me recomendou que eu jamais comparasse. Foi um conselho e tanto.
Na comparação jamais estamos inteiros, sempre sendo roubados pelo que podia ser e não é.
Simplesmente não é. Ou é.
Lidar com o real e presente é sempre a melhor escolha, e talvez a única saudável diante de adversidades e desafios.
Lógico que tem muitas coisas que eu não gosto nessa cultura...
Esse gosto pelas caçadas e armas, essa mania que eles tem de ter o maior carro possível e assim escolherem a maior caminhonete disponível, e se não bastasse, ir lá e colocar rodas maiores ainda (várias vezes vejo o carro do Gru do meu malvado favorito pelas ruas, e morro de medo de ser ele mesmo e me passar por cima hahaha).
Os eternos formulários para tudo, as evidentes segregações sociais, o patriotismo quando vira fanatismo, e etc.
Claro, que a eleição do que é bom ou ruim, guardadas as questões concretas também envolve nossas identificações, então certamente existem os brasileiros que aproveitam outras coisas dessa cultura, e tudo bem também.
De algumas coisas a gente ri, outras fingimos que não vemos, outras ainda nos protegemos, enfim, mas esse é o lado que eu diminuo o volume, pra aumentar o das coisas boas e assim poder continuar de uma maneira mais feliz e saudável no geral.
Esse mês fez 8 meses.
Ainda falta um tanto pra um ano, digo isso, porque percebi que só saberei plenamente como é viver aqui quando tiver passado todas as estações. Como as estações do ano são bem demarcadas pelas condições climáticas, se vive uma vida por estação. Com hábitos bastante diferentes entre si, desde ofertas de alimentação até comportamento cotidiano mesmo.
Sem falar na paisagem, que altera completamente, o que é bonito de ver e reacende nossa crença na renovação. A certeza de que o verde e o calor chegará de novo acalenta o coração.
Bom, dito tudo isso, eu amei viver o ação de graças, o dia da gratidão e gentilezas, desfrutei e curti muito a magia do Natal, todas as tradições e rituais, embora seja uma festa bem voltada para o infantil (e para honra e glória do Senhor Jesus eu tenho criança), aproveitei muito e incorporei tudo o que pude.
Adoro um ritual mesmo, acredito (e tenho teorias e muitas práticas que comprovam) que eles nos auxiliam no processo de internalização de conceitos, aprendizados, situações e sentimentos, ou seja, prato cheio pra mim.
E eis que chegou o Valentine's day! O dia de celebrar o amor, o amor entre casal, filhos, amigos, comunidade, um brinde ao amor de maneira geral!
Eu achei que nada me faria tão encantada quanto o Natal, mas confesso que está sendo um páreo duro.
Também gente, verdade seja dita, quem tem olhar de ver e quer se encantar, acha motivo todo dia, que dirá com nome e data marcada.
Mas é lindo de ver, tudo vermelho, corações para todo lado, as trocas de cards e lembranças na escola, a dedicação de cada um pra fazer tudo isso.
Ontem enquanto eu comprava as coisas (sim, ontem, na véspera porque eu sou brasileira mesmo), haviam vários senhores comprando também, indecisos como eu, compartilharam umas boas duas horas comigo nos corredores do Seasonal do Walmart.
Provavelmente por motivos diferentes, mas eu também estava bastante indecisa, não sabia bem o que as outras mães costumam preparar e o que seria mais legal pros amiguinhos do meu filho, ele não estava comigo (Graças a Deus, porque eu tinha teto orçamentário), então isso me fez perder bastante tempo tentando pensar o que agradaria ele e assim a turminha geral.
Já os senhores, claramente queriam agradar ao máximo, pegavam uma coisa, olhavam, comparavam, colocavam no lugar, perguntavam e assim foi.
Pra mim a celebração do amor começou lá, com o capricho de cada um na escolha do que mais fosse representar o tal Amor.
Depois preparamos as sacolinhas, meu filho não queria fazer pra todos, sob a queixa de que não são todos meus amigos... mas a regra é clara, para todos e com etiquetas de endereçamento (o que nos ajudou muito).
Eu expliquei que era um gesto importante, pra celebrar o amor, lembrei a prática do evangelho, de amar mais os que são difíceis pra gente, aquele blablablá materno conhecido (mas que as vezes tá em falta no mercado - falo disso outro dia)... enfim, fiz meu papel, mas bom mesmo e significativo pra ele foi colocar mais chocolate pro amiguinho que sofre bullyng, borrachas e lápis escolhidos especificamente pra cada amigo, porque ele gosta mais disso ou daquilo, e a cereja do bolo, a borracha you're my best friend pro melhor amigo.
Um detalhe "maligno", colocamos um lápis rosa pro colega com que as vezes tem comportamento machista e que sempre faz brincadeiras chatas com um dos melhores amigos dele. Foi sem querer querendo. (E que esse texto não seja visto nem traduzido por ninguém da escola, Amém)
Tarefa feita.
E enquanto foi feita nos permitiu pensar e sentir sobre todas essas coisas, nos ampliou o repertório de vida e gerou uma energia do fazer junto que preenche a casa, a infância e gerando pro universo esses fluídos de amor e compartilhamento.
Sempre que podemos escolher entre comprar coisas prontas ou fazer com nossos pequenos é melhor que seja feito, pelos ditos rituais e tudo que vem com eles.
Eles nem sempre gostam (depois que crescem, na hora é sempre lindo), tem uma queixa eterna aqui em casa da minha mais velha pelas "belíssimas" fantasias que eu sempre fiz na infância dela cof cof cof... mas não vou quebrar o encanto desse texto falando sobre a minha inaptidão para trabalhos manuais, a lição pra ela era valorizar o esforço hahahah.
Por último sobrou algumas coisas, coloquei uns chocolatinhos nos saquinhos e entregamos para as pessoas do STOP de envolta da escola. Aquelas pessoas que ficam parando o transito para que as crianças atravessem. Não sei se é um serviço remunerado porque aqui tem muito voluntariado para os idosos, mas que seja, eles acordam muito cedo e estão lá, faça chuva ou faça sol, calor ou frio, e como tem feito frio.
Um deles me chama a atenção em especial, um senhor negro que fica do outro lado tem uma expressão peculiar, sempre parece estar triste ou as vezes carrancudo mas sempre também está lá, cedo e tarde, fazendo o trabalho dele e sendo super cuidadoso com as crianças. Quando entreguei o saquinho pra ele me emocionei, foi o sorriso mais lindo que eu podia receber.
Eu não sabia de onde viria a flechada fatal do amor quando me aventurei nesses preparativos e rituais, e foi do movimento menos arquitetado, foi da sobra dos doces que gerou a boa ideia e assim o sorriso que me mais me encantou e emocionou hoje.
O marido atrasou, tava uma super neblina, tivemos que dar voltas para conseguir o momento de pega-los na calçada porque eu estava de pantufa e não dava pra descer, mas no fim deu certo e foi lindo.
Sim, também teve presente e mimo do marido, também dei o meu, também teve felicitações e declaração pras amigas, vários Happy Valentine's day distribuídos e recebidos, mas aquele sorriso... aquele sorriso inundou meu coração e me fez lembrar pra que mesmo que falamos de celebrar o amor.
Desejo que essa energia toda de amor possa ser aglomerada e expandida a todos os seres e cantos do universo.
Sei que cada um recebe na proporção do seu alcance mas nossa tarefa é compartilhar e expandir e que aqueles que puderem recebam, porque precisar, certamente todos nós precisamos e sobre merecer, será sempre com Deus.
Por hoje é só,
Happy Valentine's day for all! Feliz Valentine's para todos!

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