...6 semanas mais tarde.
Mais uma semana sem escrever...tá ficando recorrente.
Essa semana faltou inspiração mesmo. Faltou também organização de idéias e tempo.
Essa coisa de se adaptar toma muito tempo, mais do que eu esperava e imaginava.
A minha sensação é que meus neurônios estão trabalhando dobrado, malhando pesado mesmo, mas numa altitude que não estão acostumados, ou seja, estão com um rendimento inferior e com uma carga de trabalho extra.
Receitinha de sucesso.
Acho que por uma questão de característica própria tenho o desejo de dominar (no sentido de saber), tudo o que se passa a minha volta. Os caminhos que comumente faço, as necessidades das crianças, as relações com escola, trabalho e etc, os meus desejos e necessidades e etc.
Sempre estive acostumada a encontrar todas as respostas, dicionário, google e gente mais inteligente e informada que eu sempre foi um bom caminho.
Guimarães Rosa diz que é junto dos bão que a gente fica mió.
Mas voltando sobre essa necessidade de saber e de dominar a partir das minhas dúvidas.
Era tinha, não tenho mais, ou não posso ter mais.
Porque se continuar insistindo no verbo no presente acabo louca.
Não domino nada aqui, malemá encontro o que quero no mercado, isso porque eu que não sou boba nem nada, não fico trocando de mercado toda hora.
Mas a necessidade de saber tudo continua, vai criando uma expectativa que não pode ser cumprida e vai além disso exigindo mais e mais dos neurônios (lembrando que eles estão tendo problemas com a "altitude" né). Pois é.
Além disso parte deles está em greve ou férias. Acho que magoados com a sobrecarga. Sempre deve ter sido difícil ser neurônio meu, mas acho que eles estavam minimamente acostumados com a condição, agora algum chefe de esquerda deve ter assumido a bagaça e gritado com língua presa e camisa vermelha agora é nois porra. Vamo buscar, vamo buscar.
A parte mais melindrosa se machucou. Espero que eles retornem em breve, quem sabe escutem essas palavras e sintam o meu desespero.
Esse é o drama da vez.
Existem mentes mais relaxadas que certamente conseguem estar num passeio por exemplo, e lidar bem com o não entender aquele idioma ao lado e simplesmente relaxar. Não eu.
É o tempo todo pensando, tentando entender hábitos, expressões, costumes, ações. Acho que é assim pra todo mundo que vai recomeçar a vida em outro lugar, mas acho também que é ainda um pouco pior pra quem tem filhos. Afinal de contas, você tá tentando se organizar, ao mesmo tempo que tem outros dependendo de você pra fazer essa mesma organização. Punk.
Deve também existir gente mais competente que consegue tirar de letra a parte do sofrer pelas diferenças, e se esse tipo existe nem quero saber, que é pra não me exigir ainda mais do que eu possa entregar de mim mesma.
...........................................
Escrevi a parte acima há quase dois meses, e é uma delicia poder ler e publicar isso hoje.
Não que eu esteja completamente recuperada e adaptada, nem tampouco que tenha deixado de lado minha auto exigência. Mas em parte o tempo cumpriu sua promessa, e algumas coisas já estão em seus respectivos lugares.
Elas não voltaram ao seu lugar. Os lugares são novos. Elas encontraram seu lugar. E junto com isso eu também vou encontrando o meu.
Quase 6 meses aqui, me sinto um pouco mais confortável para falar de adaptação e chegada.
Se bem, que quando é que a gente chega?!
É quando a gente domina? É quando a gente curte? É quando a gente sofre e mesmo assim continua? É quando a gente aprende a amar? É quando a gente se vê sozinha tendo que aproveitar?
Eu ouso dizer que é quando a gente relaxa, e encontra um lugar seguro e forte dentro de nós que vai nos conduzir de maneira mais plena pelos caminhos fora de nós.
O mesmo lugar interno que nos permite ao mesmo tempo observar e contemplar quando é possível e que nos oferece a possibilidade de ação quando além de possível também é necessário.
Acho que a gente vai chegando sempre, a todo instante, a cada um deles. A descoberta é constante, mesmo nos nossos espaços conhecidos, que dirá em outra cidade, outro estado, outro país, outro contexto, outras relações.
A gente chega pelo sensorial, pelo tato, visão, olfato e audição. Chega com sensação, que aciona sentimento e depois interpretação.
Quando de cara o racional domina, a chance de frustração é muito grande. É por isso que o ser humano aprende no seu processo de desenvolvimento a sentir e posteriormente a interpretar. A inversão desses fatores ferra lindamente com o produto.
E essas sensações vão acionando quem somos e nos convidando a chegar e a estar, a experimentar. Convidando nossas partes não reveladas até então a se fazerem presentes. Desenvolvendo e apresentando lados desconhecidos de nós mesmos.
É outra de mim também que aqui está. Uma outra que é filha minha, da minha escolha, da minha essência mas ainda assim é outra.
Cada centímetro novo, que é vivido, de fato, com inteireza, traz um metro do novo interno, interno esse que a todo momento se amplia para caber e dar conta do conteúdo. Sendo conteúdo e continente ao mesmo tempo já que o novo que chega muitas vezes não encaixa no velho e pede uma atualização para que possa se alojar.
E de coisa em coisa, de atualização em atualização, quando vemos, mudamos a sala toda, o jeitão da coisa, a maneira de organizar e por aí vai.
Mudamos as cores que preferimos ter em volta. A música que queremos escutar. Os livros que queremos ler. A nossa tal maneira de estar e chegar.
Sartre diz lindamente: mudo para permanecer o mesmo. Porque a unica permanência na vida é a mudança de fato.
Releia e reflita sobre isso com mais tempo. Tem uma profundida nisso que não atingimos imediatamente.
Nisso tudo algumas coisas se mantem, os vínculos se transformam mas continuam, as sólidas amizades, os amores antigos, a família todos esses permanentes são realocados. Mudam de figura e fundo, ocupam novos espaços.
Os lugares podem ser outros, mas não piores, pelo contrário. O que ficou, ficou forte.
Tem também o que passou, que ótima desculpa é morar fora e assim de fato nos distanciar de tudo que não nos faz bem. É como uma libertação das amarras do social e conveniente.
Não que antes eu fosse muito sociável, mas sempre cumpri bem os protocolos.
E das coisas materiais que sustentam o simbolo, eu fiquei com o olfato.
Tento zelar pelo cheiro, cheiro de conforto, do conhecido, cheiro gostoso.
Muitos sabonetes, óleos, hidratantes e colônias do Brasil.
Aromas antigos que perfumam o meu novo e me dão uma sensação de casa. Ainda que seja tão longe de casa.
Uma grande amiga, psicóloga competente que me ajuda a cuidar de mim quando preciso me presenteou com muita coisa dessa natureza. Foi um presente literal e lindamente simbólico. Me dar tantos cheiros que fizessem esse acolhimento.
Lembro da minha pergunta. Pra que tudo isso?!
E a resposta dela: Cheiro é importante baby.
Cheiro é muito importante, e é nesse mar de mudanças, é uma rocha simbólica de constância.
Não era pra esse texto ser pesado, pelo contrário. É quase um ode de gratidão.
Pela fé no processo. Pela possibilidade de estar viva, de aprender, reaprender e se refazer.
Pela paciência de deixar que o tempo e as coisas fluam e de aproveitar o caminho enquanto isso.
Pela capacidade de sentar quando está difícil ficar de pé, ou caminhar mais lento, quando não conseguimos de fato correr.
Pela possibilidade de sentir novos cheiros e mesmo assim, me sentir tão preenchida de aromas antigos.
Pelo vazio, que promove a busca por encontros e novos preenchimentos.
Pela saudade do cheiro da minha mãe.
Ela que me ensinou dentre tantas outras coisas a gostar e explorar tanto esse sentido, minha lembrança dela é sempre cheirosa.
E como o inverso também existe. Comprei para mim o perfume que dei pra ela.
E sigo, literalmente com seu cheiro, por onde quer que eu vá.
Gratidão, andiamo avante.
Até breve.
Essa semana faltou inspiração mesmo. Faltou também organização de idéias e tempo.
Essa coisa de se adaptar toma muito tempo, mais do que eu esperava e imaginava.
A minha sensação é que meus neurônios estão trabalhando dobrado, malhando pesado mesmo, mas numa altitude que não estão acostumados, ou seja, estão com um rendimento inferior e com uma carga de trabalho extra.
Receitinha de sucesso.
Acho que por uma questão de característica própria tenho o desejo de dominar (no sentido de saber), tudo o que se passa a minha volta. Os caminhos que comumente faço, as necessidades das crianças, as relações com escola, trabalho e etc, os meus desejos e necessidades e etc.
Sempre estive acostumada a encontrar todas as respostas, dicionário, google e gente mais inteligente e informada que eu sempre foi um bom caminho.
Guimarães Rosa diz que é junto dos bão que a gente fica mió.
Mas voltando sobre essa necessidade de saber e de dominar a partir das minhas dúvidas.
Era tinha, não tenho mais, ou não posso ter mais.
Porque se continuar insistindo no verbo no presente acabo louca.
Não domino nada aqui, malemá encontro o que quero no mercado, isso porque eu que não sou boba nem nada, não fico trocando de mercado toda hora.
Mas a necessidade de saber tudo continua, vai criando uma expectativa que não pode ser cumprida e vai além disso exigindo mais e mais dos neurônios (lembrando que eles estão tendo problemas com a "altitude" né). Pois é.
Além disso parte deles está em greve ou férias. Acho que magoados com a sobrecarga. Sempre deve ter sido difícil ser neurônio meu, mas acho que eles estavam minimamente acostumados com a condição, agora algum chefe de esquerda deve ter assumido a bagaça e gritado com língua presa e camisa vermelha agora é nois porra. Vamo buscar, vamo buscar.
A parte mais melindrosa se machucou. Espero que eles retornem em breve, quem sabe escutem essas palavras e sintam o meu desespero.
Esse é o drama da vez.
Existem mentes mais relaxadas que certamente conseguem estar num passeio por exemplo, e lidar bem com o não entender aquele idioma ao lado e simplesmente relaxar. Não eu.
É o tempo todo pensando, tentando entender hábitos, expressões, costumes, ações. Acho que é assim pra todo mundo que vai recomeçar a vida em outro lugar, mas acho também que é ainda um pouco pior pra quem tem filhos. Afinal de contas, você tá tentando se organizar, ao mesmo tempo que tem outros dependendo de você pra fazer essa mesma organização. Punk.
Deve também existir gente mais competente que consegue tirar de letra a parte do sofrer pelas diferenças, e se esse tipo existe nem quero saber, que é pra não me exigir ainda mais do que eu possa entregar de mim mesma.
...........................................
Escrevi a parte acima há quase dois meses, e é uma delicia poder ler e publicar isso hoje.
Não que eu esteja completamente recuperada e adaptada, nem tampouco que tenha deixado de lado minha auto exigência. Mas em parte o tempo cumpriu sua promessa, e algumas coisas já estão em seus respectivos lugares.
Elas não voltaram ao seu lugar. Os lugares são novos. Elas encontraram seu lugar. E junto com isso eu também vou encontrando o meu.
Quase 6 meses aqui, me sinto um pouco mais confortável para falar de adaptação e chegada.
Se bem, que quando é que a gente chega?!
É quando a gente domina? É quando a gente curte? É quando a gente sofre e mesmo assim continua? É quando a gente aprende a amar? É quando a gente se vê sozinha tendo que aproveitar?
Eu ouso dizer que é quando a gente relaxa, e encontra um lugar seguro e forte dentro de nós que vai nos conduzir de maneira mais plena pelos caminhos fora de nós.
O mesmo lugar interno que nos permite ao mesmo tempo observar e contemplar quando é possível e que nos oferece a possibilidade de ação quando além de possível também é necessário.
Acho que a gente vai chegando sempre, a todo instante, a cada um deles. A descoberta é constante, mesmo nos nossos espaços conhecidos, que dirá em outra cidade, outro estado, outro país, outro contexto, outras relações.
A gente chega pelo sensorial, pelo tato, visão, olfato e audição. Chega com sensação, que aciona sentimento e depois interpretação.
Quando de cara o racional domina, a chance de frustração é muito grande. É por isso que o ser humano aprende no seu processo de desenvolvimento a sentir e posteriormente a interpretar. A inversão desses fatores ferra lindamente com o produto.
E essas sensações vão acionando quem somos e nos convidando a chegar e a estar, a experimentar. Convidando nossas partes não reveladas até então a se fazerem presentes. Desenvolvendo e apresentando lados desconhecidos de nós mesmos.
É outra de mim também que aqui está. Uma outra que é filha minha, da minha escolha, da minha essência mas ainda assim é outra.
Cada centímetro novo, que é vivido, de fato, com inteireza, traz um metro do novo interno, interno esse que a todo momento se amplia para caber e dar conta do conteúdo. Sendo conteúdo e continente ao mesmo tempo já que o novo que chega muitas vezes não encaixa no velho e pede uma atualização para que possa se alojar.
E de coisa em coisa, de atualização em atualização, quando vemos, mudamos a sala toda, o jeitão da coisa, a maneira de organizar e por aí vai.
Mudamos as cores que preferimos ter em volta. A música que queremos escutar. Os livros que queremos ler. A nossa tal maneira de estar e chegar.
Sartre diz lindamente: mudo para permanecer o mesmo. Porque a unica permanência na vida é a mudança de fato.
Releia e reflita sobre isso com mais tempo. Tem uma profundida nisso que não atingimos imediatamente.
Nisso tudo algumas coisas se mantem, os vínculos se transformam mas continuam, as sólidas amizades, os amores antigos, a família todos esses permanentes são realocados. Mudam de figura e fundo, ocupam novos espaços.
Os lugares podem ser outros, mas não piores, pelo contrário. O que ficou, ficou forte.
Tem também o que passou, que ótima desculpa é morar fora e assim de fato nos distanciar de tudo que não nos faz bem. É como uma libertação das amarras do social e conveniente.
Não que antes eu fosse muito sociável, mas sempre cumpri bem os protocolos.
E das coisas materiais que sustentam o simbolo, eu fiquei com o olfato.
Tento zelar pelo cheiro, cheiro de conforto, do conhecido, cheiro gostoso.
Muitos sabonetes, óleos, hidratantes e colônias do Brasil.
Aromas antigos que perfumam o meu novo e me dão uma sensação de casa. Ainda que seja tão longe de casa.
Uma grande amiga, psicóloga competente que me ajuda a cuidar de mim quando preciso me presenteou com muita coisa dessa natureza. Foi um presente literal e lindamente simbólico. Me dar tantos cheiros que fizessem esse acolhimento.
Lembro da minha pergunta. Pra que tudo isso?!
E a resposta dela: Cheiro é importante baby.
Cheiro é muito importante, e é nesse mar de mudanças, é uma rocha simbólica de constância.
Não era pra esse texto ser pesado, pelo contrário. É quase um ode de gratidão.
Pela fé no processo. Pela possibilidade de estar viva, de aprender, reaprender e se refazer.
Pela paciência de deixar que o tempo e as coisas fluam e de aproveitar o caminho enquanto isso.
Pela capacidade de sentar quando está difícil ficar de pé, ou caminhar mais lento, quando não conseguimos de fato correr.
Pela possibilidade de sentir novos cheiros e mesmo assim, me sentir tão preenchida de aromas antigos.
Pelo vazio, que promove a busca por encontros e novos preenchimentos.
Pela saudade do cheiro da minha mãe.
Ela que me ensinou dentre tantas outras coisas a gostar e explorar tanto esse sentido, minha lembrança dela é sempre cheirosa.
E como o inverso também existe. Comprei para mim o perfume que dei pra ela.
E sigo, literalmente com seu cheiro, por onde quer que eu vá.
Gratidão, andiamo avante.
Até breve.

Nossa meu amor quanta sensibilidade a muito tempo estava pensando o que fazer pra ter vocês mais perto de mim foi ai que lembrei quando te perguntei nossa Ma seu cheiro é tão bom não consigo saber o que você faz, ai você me respondeu a Na eu usava Confort branco pra lavar as roupas, pois bem meu amor esse foi o primeiro item a ser escolhido na minha compra do mês, espero acerta e ter em minha casa em minhas coisas seu cheiro ou melhor sentir sua presença presente no meu dia a dia. Amo muito todos vocês, saudades de todos, essa saudade dói muito em mim.
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