Em tempo...sem tempo.
"A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!..."
Mario Quintana tinha mesmo razão, mas o tempo é essa coisa
engraçada.
É como se a vida fosse um relógio ativado pelo nosso olhar
ao tempo. Se você olha ele pára, se se distrai ele voa. A unica solução me
parece ser estar distraído conscientemente. Escolher com que se perder e assim
se perder sem temer. Mas ainda assim, como é possível escolher todas as coisas
que desejamos ter sob nosso pertencimento e nos pertencer.
Essa semana minhas horas foram ligeiras, meus dias na mesma
toada, nas noites eu piscava, envolvida que estava em coisas que me
interessavam, mas ainda assim renunciando a um universo gigante que me
escapava, e que também me interessava.
Quando apertamos um punhado de areia nas mãos, precisamos
olhar fixo pra ele para que nos sintamos seguros, porque afinal, aquilo é só um
punhadinho de coisas dentre a imensidão de possibilidades.
Isso não é de todo ruim. Não é.
É só a vida em estado bruto. Sendo o que é e que assim seja.
Mas quando olhei era domingo, amanhã começa de novo e isso
me assusta, eu que estou sentada em cima das minhas escolhas, então eu imagino a
quem não teve tempo ou oportunidade de escolher.
Deve ser algo parecido com o toboágua que fui ontem que se
você levanta a cabeça bate ela com força, se abaixa bebe água e a torcida é só
pra que acabe. E quando acaba, há quem queira de novo, achando que agora a
consciência do que vem trará junto consigo o controle.
Nem sempre.
A minha dica é, pegue as rédeas do controle que cabe nas suas
mãos e relaxe sobre o resto.
O sofrimento e ansiedade sobre o que não controlamos não nos
faz mais aptos a dominar tal coisa, seja ela qual for.
Pelo contrário, nos faz perder o gozo de usufruir do que
podemos.
No consultório eu sempre chamava isso de apodrecer o fato ou
relação. É algo parecido a sofrer tão intensamente sobre alguma nuance ou
característica de determinada relação a ponto de contaminar o bom dela, assim o todo apodrece e jogamos tudo fora.
Acontece em relacionamentos afetivos, em relacionamentos
familiares e na maioria das situações dúbias que vivemos porque sempre haverá o bom e
ruim, o pró e contra.
Lidar com o contra e usufruir do pró.
Na medida que você tenta e consegue, traz uma sensação boa de
aproveitamento e entendimento.
E o alcance disso é algo bem próximo do que se chama maturidade emocional.
Como diz a oração da serenidade, sobre ter aceitação
para lidar com o que não posso mudar, força para mudar o que pode ser mudado e
discernimento para distinguir uma coisa da outra.
Eu, particularmente sempre tento aplicar isso, mesmo que em alguns momentos possa alcançar o mínimo possível. Me faz bem, para que eu possa pensar que não perdi
tempo de aula na vida escola.
Se foi ruim tento logo encontrar a lição. Se foi bom, tento
segurar a sensação como quando comemos uma coisa muito boa e não queremos beber
nada pra não perder o gosto.
Jesus, como aqueles kisses da Hersheys que eu nem mordo, fico
chupando e depois nem falo por um tempo pra segurar o sabor ao máximo.
Então...tipo isso.
No toboágua ontem não teve jeito (gente, era uma cápsula,
que você entrava, eles fechavam e no three o chão se abria e você caia). Um
susto do cão. Teve mais noradrenalina que adrenalina. A "nora" (não
confundir com nora da sogra) é a prima má da adrenalina, causando uma sensação
mais carregada de medo que de coragem.
Enfim..e se for pensar em escolha nesse momento, o que posso
escolher é não retornar já que não é algo que eu possa controlar.
E se a tal situação ou relação é equivalente a isso, se
causa esse tipo de coisa, desejo que se possa escolher também não passar por isso
novamente e assim se recolher e proporcionar algo melhor.
Re-lembrando, que nessas coisas que não controlamos, a
consciência não liga o botão do controle ...e se repetido muitas vezes, fica a
sensação de impotência e fragilidade de não conseguir escolher ou fazer
diferente.
Jung diz para nos atentarmos à repetição de situações,
quando elas se repetem pode haver uma lição guardada que não foi aprendida da
primeira vez, mas ele também diz que só mudamos o que aceitamos e que a
sandália de um não serve pra outro, no que tange a não haver receitas.
Ou seja, vida sem manual de instruções. Lascou-se. (e o meu favorito)
- Fudeu. Use você a expressão que quiser.
Claro, que esses trechos aí em cima sobre toboágua e
relações descontroladas são uma metáfora, mas é bom que assim seja.
Quem alcançar o sentido pode pensar sobre isso, quem não,
pode ficar com essa história de toboágua e não ir na tal capsula, embora eu
deva confessar: Eu iria pra saber por mim mesma, nem que fosse só uma vez, é
bom ter história pra contar.
Além disso, nunca sabemos, o que o outro sente nas mesmas
condições que nós. Podemos nos esforçar para aproximar, e sermos o mais
empáticos possível, mas sensação e sentimento são coisas intransferíveis.
O jeito é, falar. Falar das nossas sensações e sentimentos nos aproxima do outro. No ato de comunicar é imediata a busca cerebral por identificação de semelhanças.
Ressalva - guarde a diferença entre falar do seu sentimento e culpar o outro pelo que sente. Essa dica será útil mas o assunto é longo, quem sabe na próxima falamos disso.
Vou tentar, muito, escrever mais essa semana. Sinto vontade e saudade.
Mas, o trem é que preciso de um tempo antes e depois, de silenciar e desfrutar do silêncio externo pra dar vazão as idéias, e vamos combinar que isso não é fácil no vuco do dia a dia.
Imagina aí, filhos, marido, casa, escola, vida nova, família em outro país, amigos também e o fuso horário ferrando lindamente com isso tudo.
Tenho também gastado muito neurônio com essa coisa de adaptação a vida nova, Jesus, é muita novidade e com a minha voracidade aplicada ao conhecimento fico curiosa e sedenta de dominar tudo, chegando a exaustão mental every day, day by day.
Dizem que vai melhorar, eu espero... até lá uma martelada no dedo e uma no prego. Essa semana foi no dedo.
Por hoje é isso.
Marido tá lá martelando (literalmente) montando um móvel, vou lá ajudar (apoio moral-vugo torcida), tipo: Vai marido, vai marido, vai marido!
Bom domingo, ótima semana a todos!
Até breve.
Assim como a leitura dos textos do blog que leio de trás pra frente, na vida talvez essa seja minha artimanha para driblar o tempo e a vida, ir contra ele e todos, nunca fui muito de seguir a risca o que é me imposto, até o tempo do microondas que eu não tenho como colocar de trás pra frente eu paro antes, pois onde se viu um simples microondas querer me impor o tempo dele, talvez seja uma teimosia em querer afrontar, mas até que na vida esse afronte tem dado certo, e assim, "adiv" que segue, em tempo e no meu tempo...Rs
ResponderExcluirkkkkkk boa!
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