Sol e remédio. Sol remédio.





Hoje o dia amanheceu ensolarado, lindo...e conforme eu previa as nuvens emocionais aos poucos estão sendo dissipadas. Aqui pelo menos, porque o coração texano chora por Houston e pelas outras cidades.

O sol me deixa especialmente feliz e animada, recomendo a todos.

Aliás, preciso aproveitar pra ser feliz essa semana, porque o TPM está chegando e aí o povo aqui de casa vai ficar com saudade da Harvey.

Mas voltando ao sol... é cientifico inclusive, atualmente bons psiquiatras em casos leves a moderados de depressão recomendam inicialmente a tríade, psicoterapia, atividade física e sol antes de pensar em psicotrópico. E não raro o resultado é excelente.

Eu particularmente sou suspeita né, porque acredito muito nisso e sou extremamente avessa a indicação medicamentosa indiscriminada então sempre recomendo como prevenção e "remédio" mesmo.

Claro, que existem os casos que precisam mas precisamos tomar muito cuidado com a tendência atual de arrumar remedinho pra tudo.

Não tem.

Tem coisa que precisa de tempo, paciência e disposição. Não necessariamente nessa ordem.

E quanto antes aprendermos essa lição melhor.

Se for criança então, quanto menor mais danoso é a utilização medicamentosa. Infelizmente a alopatia acaba consertando uma coisa e estragando outra.

 Além disso, tratar o sintoma e não a causa, pode gerar um circulo vicioso de sintomas mais graves e assim medicamentos também mais poderosos.

Olhar com calma e paciência e acolher um sintoma seja físico ou emocional muitas vezes é mais efetivo.

Vi isso demais na clínica com crianças, e numa escala menor, ou mais complexa também pode se estender aos adultos.

Aqui em casa, sempre tentei treinar meus filhos para o autoconhecimento, o olhar pra dentro mesmo com paciência.

Claro, que nem toda dor e sintoma tem base emocional, mas relação quase sempre.

Então quando vem uma dor de cabeça, de barriga, febre... qualquer coisa nesse sentido... antes de medicar ou correr pro médico eu sempre pergunto, por que você acha que está sentindo isso?

Com o tempo e prática eles mesmos vão aprendendo a se analisar e dão respostas como: estive com medo disso ou daquilo, estava ansioso, fiquei nervoso, enfim...não é simples, requer tempo, duas ou três vezes mais ...tempo de ter essa conversa, de permitir a reflexão e de observar o sintoma.

E quando você tem tempo e paciência ensina isso.
(Em outro momento vou falar de tempo, qualidade versus quantidade, nunca tive em grande quantidade, mas sempre zelei pela qualidade)

Para isso eu sempre contei com um pediatra top, que tem crenças semelhantes e que me mantem segura de que não vou matar um filho por negligência.

Febres altas sempre são preocupantes, além de dores intensas ou agudas.

Mas pequenas dores podem ser suportadas, e devem inclusive, porque é assim que ensinamos tolerância, resistência, treinamos resiliência e eles vão aprendendo a não ser uma dor, quando se está com dor.

Recentemente minha mais velha teve escarlatina. Foram 4 a 5 dias até fechar o diagnóstico.

Eu implorei antibiótico pra ele.

(Dá dinheiro mas não dá intimidade). Tive que ouvir ele dizer que paciência na nossa vida, com nosso filho é mais difícil. Revirei os olhos. Humpf

O caso é que ela estava nesse período sem conseguir se alimentar, com muita dor de garganta e febre, mas não tinha pus ou inflamação que justificasse e ele escolheu esperar. ELE escolheu esperar.

Depois de eu ligar na manhã do 4 dia de manhã falando que não dava mais, que a homeopatia não tava resolvendo que não tinha progresso e que ela estava emagrecendo, a tarde tinha um recado no meu consultório pedindo pra vê-la urgente. Aí sim, lá estavam as grosseiras no corpo e aftas em todo o tubo de língua a esôfago. Ao fim desse dia entramos com tudo, antibiótico pesado e corticoide.

Como profissional eu entendia o tempo todo, como mãe eu queria antibiótico na veia se fosse possível.

Naquele dia ele foi resistência pra mim. Em outros eu que fui pra tantas mães, pais e etc, que muitas vezes também são profissionais de saúde, também compreendem todo o processo, concordam e estimulam, mas quando a água bate na bunda no nosso m² precisamos de alguém de confiança que seja resistência pra nós. Que nos lembre de nossas crenças e nos mantenha forte.

Educar e cuidar é uma tarefa árdua.

Minha filha ficou bem, e aqueles momentos no mínimo fizeram ela mais resistente a dor. Mais forte. Não é qualquer coisa que vai mata-la, ela sabe disso. Encarar a dor nos faz forte. E nem precisa ser de cabeça erguida coisa nenhuma.

Podemos abaixar a cabeça, fazer uma prece, deitar, descansar...só não podemos desistir.

Nem precisamos correr, só continuar, devagarinho se necessário, de acordo com a permissão e intensidade dessa dor.

Isso me lembrou meu parto do André, quando nos últimos momentos de dor eu pedia cesária, e outro médico e amigo lembrava que era só a dor me entorpecendo, que eu queria e teria normal. Como de fato foi com todo encanto, dor e bravura que esse momento pede.

Enfim...não haveriam pérolas se as ostras não fossem invadidas. Pérola é uma cicatriz.

Precisamos lidar com a dor com paciência e se possível produzir algo bonito disso.

Eu espero que o Texas faça isso daqui algum tempo.

Continuem em prece, por aqui e tantos lugares e situações que precisam de nossa mentalização e luz.

Nunca é demais.

E pra concluir, sobre a dor... tem muitas lições que podemos aprender com amor, mas algumas é na marra, em meio a dor mesmo.

Não vamos perder a oportunidade quando for pelo amor, nem a solidariedade e esperança quando pela dor.


Até breve.







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