Sem título, fazendo jus a falta de palavras

Mais um dia, graças ao bom Deus!

...como eu escrevo cedo, sempre tenho vontade de falar bom dia, mas tem o fuso horário e de cara eu já estou duas horas atrasadas em relação ao Brasil, além disso meu cedo nem é tão cedo assim e o google dispara o texto no e-mail beeem mais tarde. Logo perde o propósito, mas sempre me sinto mal educada de não começar com um bom dia ou tudo bem.

Ossos do ofício, ou da maneira em que se dá esse oficio.

Jesus Cristo, quantas coisas passaram na minha cabeça de ontem pra hoje. Pensamentos, sensações, sentimentos e até sonhos.

Um turbilhão em diversidade, uma avalanche em intensidade.

Um lembrete aos desavisados, que eu continuo de TPM.

Não que isso faça alguma diferença, isso faz uma diferença do CA!#&*O!

Não quero ser a reclamona mensal, mas só uma dica: meninos, meninas, pares, companheiros e companheiras (ficou meio PT demais), filhos e filhas.

Vós todos que sois levantados a essa sagrada missão.

Nesses momentos, preparem o jantar ou comprem um chocolate, bolsa nova, sei lá, o que der, lava a louça ou fala que tá linda.

Leva uma florzinha roubada do jardim do Sr. Zé. Façam uma massagem no ombro ou nos pés. Se puder no ombro E nos pés. Na hora de dormir cubram e deem um beijinho.

Deixem essa "massa" descansar por uns 7 dias, e aguardem a recompensa.

Ela virá, porque se tem um trem que mulher tem é memória. Ela te recompensará na exata medida da sua aceitação, acolhimento e amor.

Marido, se você me ler hoje, num é indireta não tá, foi sem querer que eu esqueci aquela manteiga corporal maravilhosa, de ylang ylang, delicia e que eu amo pra massagem, no seu criado tá. 

Mas voltando ao agora e hoje, porque a massagem é só mais tarde, Tá parei!

Ontem foi aniversário do meu filho. 10 anos. Uau!

Uma década dele, uma década sendo mãe de menino e uma década sendo mãe de dois.

Cada vez que nasce um filho nasce uma mãe. E existe uma tendência natural que essa mãe vá melhorando aos poucos.

Maturidade, experiência, relaxo.

Relaxo sim, porque é muito importante em alguns momentos deixar o trem correr mais solto e a revelia.

Aqui em casa já discutimos muito isso, ele tem uma mãe mais light e despreocupada comparada a mãe que a mais velha teve e claro, se desenvolve sobre isso gerando conflitos aqui em casa de deixar a faixa de Gaza suave.

Um questiona não ter o que o outro teve. E claro, ambos não tiveram certinho, igual as mesmas coisas. Em nenhum aspecto, físico, material ou emocional.

De cara, ela foi filha única por 9 anos. Ele coitado nunca foi, mas teve uma mãe mais graduada na escola da maternidade e gozou disso.

Não tem muito jeito. A vida é o que é, o lance é ver logo qual é o esquema e ajustar nisso que sofre menos.

A primeira foi uma filha muito sujeita a minha auto exigência, e claro que também se desenvolveu sobre isso.

Naturalmente seria assim, muito jovem que eu era, tinha um padrão de exigência muito grande em relação a tudo, não seria diferente com a maternidade. Além disso, era necessário "provar" o quanto era boa mãe e etc.

Nesse tanto de coisas que pensei de ontem pra hoje, a auto exigência me rodeou muito.

Aliás, a experiência de estar escrevendo esse blog tem me trazido essa reflexão a todo momento.

Vir aqui, me expor, colocar minha palavras, opiniões, e cara é algo extremamente novo.

Eu sempre me coloquei nas minhas relações e situações, mas aqui é diferente. Fica salvo, registrado aberto e sujeito a interpretações de A a Z.

Tem sido um exercício escrever, baixar a tela do note e ir viver.

Ler, reler e não corrigir (porque eu sempre encontro possíveis correções depois).

Exercitar a exposição inclusive de erros, sejam eles de concordância a coerência. Mostrar uma pessoa, pele, osso, gordura, músculo, órgãos e neurônio. Igual todo mundo.

Tá bom vai, mais gordura e neurônio. Igual alguns.

Enfim..

Ontem eu não escrevi, e embora tenha dito que acompanharia o ritmo do meu desejo e disposição, uma rotina veio se estabelecendo e eu também precisei ligar o botãozinho do relax pra isso.

O dia foi muito ocupado e simplesmente não deu.

Essa auto exigência é algo interno, um ingrediente despejado em todas as nossas ações, regulando assim nosso dia a dia.

O padrão traçado como meta de realização é interno, mas na maioria das vezes se utiliza do contexto externo para base; uma vez construído o "tal padrão", nada menos que ele é aceito e um massacre pessoal se inicia a cada não atingimento.

O contexto externo pega isso, e por sua vez começa a exigir senão mais do que recebe, nada a menos do que aquilo e assim nos vinculamos a uma concepção de ideal muitas vezes inatingível.

Ou seja, esse "auto" é um gatilho, mas o combustível disso é muitas vezes o tal contexto externo;

Tudo isso, sem contar nos afetos envolvidos.

Uma vez que alguém atinja um padrão de excelência com frequência, e isso muitas vezes se estabelece lá na infância, essa pessoa passa a acreditar que é amada e respeitada por isso.
E é claro, que também o é, já que muitas vezes essa é sua marca; mas também é amada para além disso, por muito mais do que isso.

Com as crianças dizemos que fica escravo do elogio, mas o que, de adulto também não o somos?

A encruzilhada fatal, é ter que errar, ou faltar com a tal excelência para perceber que o mundo não acaba, que as pessoas continuam ali, e que esse tal padrão foi criado muito mais a partir de fantasias internas do que de fato relacionado a expectativas externas. Foi uma forma de compreensão dessas expectativas que resultou nisso.

Se começarmos a falar disso no contexto de educação então, dá pano pra manga e não vou me alongar nisso, só quero poder dar uma dica.

Aos pais fortes, excelentes e corretíssimos. E que logo, ensinam isso para os seus (o que não está errado tá gente).

Aos buscadores da excelência em tudo, eu preciso dizer, criança também precisa de erros. De pais reais que cometem enganos, passam do ponto e voltam pedindo desculpas.

Pais que choram, que se cansam e irritam.

Conviver com essas figuras reais que vai proporcionar a criança um desenvolvimento saudável com suas lagrimas, erros e deslizes.

Aqui, sempre que se quebrava um copo por exemplo, e que meu filho ficava assustado, eu perguntava:

Foi por querer? E ele super se defendia, claro que não. Na sequência vinha a justificativa e eu finalizava com um tudo bem.

Nesse ponto eu trabalhava claro, a intencionalidade porque também estava educando o serzinho, mas precisava deixar claro que acontece. Aliás, é uma das palavras que eu mais uso aqui.

A gente simplesmente erra, quebra, desliza. Na maioria das vezes sem querer, então tudo bem.

Lembra do meu desejo de dar bom dia lá em cima, auto exigência.

E eu teria zilhões de exemplos, na minha vida, na sua, na de qualquer um.

E só mais uma derradeira informação, nós também acostumamos, adaptamos, ou viciamos na sensação do dever cumprido com excelência.

Nós também ficamos escravos do elogio, e quando vemos, estamos vendendo a alma ao diabo por isso.

Permitindo situações que podem ser abusivas e desconfortáveis, pelo reconhecimento, salário, elogio ou tapinha nas costas.

E quando eu falo tudo isso, óbvio que o ouvido mais próximo da minha boca é o meu. Os primeiros olhos a lerem isso são também os meus.

Longe de ter aprendido isso, mas vou exercitando.

Semana passada comecei um blog, ontem deixei de escrever nele.

É bom terminar com uma frase curtinha, facinha de refletir, e que não pesa no ombro. Uma orientadora que eu amo sempre dizia:

O ótimo é inimigo do bom.

Na verdade quem disse isso foi Voltaire, mas ela ficava linda quando dizia, então quis dar o crédito também a ela.

E um pouco além disso, eu diria, entre fazer ótimo e não fazer, faça o bom, faça o que der, mas faça.

Entre o nada e o ideal, trace a linha do possível.

E sendo assim, assim sendo...

bom dia à vocês!

Comentários

  1. Mari, incrível seu bom humor e delicadeza na escrita, devia ter começado a escrever bem antes. Estou amando ter você aqui e li e refleti sobre o aviso aos pacientes. Obrigada pelo cuidado de sempre. Um beijão já com muita saudade. Carol Maroni (pra variar não consegui me identificar direito).

    ResponderExcluir
  2. Bom dia, minha querida! Deixando de lado minha auto exigência em escrever algo relevante, passo para agradecer teu texto. Que delícia. Principalmente a frase "baixar a tela do note e ir viver". <3

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Sobre a arte de começar

Cuide de você e dos seus. Cuide do outro. Conhecido e desconhecido.

Tecla SAP ativa após 9 am. Por favor não insista!