As nuvens densas que pairam sobre o Texas

O combinado era falar quando me sobrasse palavras das que eu conheço e domino, para falar do que momentaneamente me fazia as perder, ou ainda para lidar com as que eu não tinha.

Pois bem, ultimamente tem me faltado essas aí também.

Não que me falte pensamentos, ah não...essa matéria prima eu tenho de sobra.

Tem faltado é a organização de todos esses pensamentos e sentimentos... mas ...como escrever também é recurso para isso, aqui estou eu.

Eu sempre me sinto tão suscetível as situações e circunstancias que vivo, que é quase impossível passar por algo sem que fique mexida, ou que não produza algumas reflexões e no mínimo um breve escrito.

Mas também é verdade que quando a situação é muito diferente de tudo que estamos acostumados ou familiarizados tomamos um tempo para que isso vá sendo gradualmente registrado, administrado e armazenado.

Falei disso no último texto. Sobre elaboração.

Não que a situação e circunstancia seja a mesma, mas o sistema é.

Então estou um tanto mexida e comovida com os últimos acontecimentos aqui; caso alguém não saiba clique aqui: Tempestade Harvey no Texas

Passamos esse fim de semana todo em casa. Todinho. Chuva, chuva e chuva.

Comida, doce, filme, sono. Comida, doce, filme, sono. Comida, doce, filme e sono...Repita até dormir.

Nesses momentos me ocorre que é importante que você se case com alguém que possa ficar fechado em um lugar sem que precise cortar os pulsos. Graças a Deus fiz uma boa escolha.

E na verdade, adoro ficar em casa, então não tem nada de ruim nisso.

Eu digo nada, além de estar rolando a tempestade Harvey lá fora e termos sido "obrigados" a de fato não sair, o que pode gerar um imediato tesão de coisas ao ar livre, ou seja, tédio em estado bruto.

Isso é o ser humano.

Temos dificuldade em nos sintonizar com o ritmo da natureza e desfrutar do que ela apresenta

É simples...descansar em dias de chuva, aproveitando isso. Animar em dias de sol, aproveitando isso.

Quanto a mãe (natureza ou não) está enfurecida o melhor é se recolher, quem aprendeu isso cedo apanhou menos.

Mas a birra humana faz querer sair na tempestade e dormir nos dias que convidam a sair. Vai entender.

A prova disso é as mídias da cidade e estado terem que ficar repetindo os pedidos e alertas para que as pessoas fiquem em casa.

Acho também que tem um quê de desafio. As pessoas duvidam do potencial de destruição da natureza, e quando levam fé tarde demais.

Não necessariamente aqui, mas nas cidades mais afetadas muitas pessoas se recusaram a deixar suas casas e ficaram a mercê do perigo.

Tipo mãe furiosa, que você não leva muita fé, mas depois que a lava do vulcão chega até o filho, ele se ressente profundamente magoado pela intensidade da ira...no entanto... antes foram tantos avisos.

Tanto do planeta sobre os maus tratos que temos com ele quanto práticos, do governo pedindo que estejamos seguros e tomemos as devidas medidas de precaução e segurança.

E antes que mencionem sobre as perdas materiais e tals, a esmagadora maioria aqui tem seguro.

Enfim, na verdade estou muito grata ao furacão não ter chegado propriamente até aqui. Lidamos com os efeitos dos ventos ao redor dele, mas aqui de fato ele não esteve, e mesmo assim gerou alertas, inundações, suspensão de trabalho da prefeitura, de aulas e serviços.

Hoje as coisas estão melhores, desde ontem não chove...

Aproveitei e sai pra caminhar, andar a toa, sentir esse clima (físico e emocional), esse vento, a garoa...

O povo americano é bastante patriota, nem preciso dizer.

O texano então, cultiva orgulhoso sua cultura, quase todas as casas sustentam a estrela do Texas com um ar de honra, (pelo menos aqui no interior).

Sendo assim eles estão profundamente abalados, e não é pra menos...

O que senti é algo como um clima de luto... legitimo por tantas perdas mas ao mesmo tempo velado.

Falar o quê? Tantas perdas... mas como culpar a natureza.

Não vejo as pessoas falando publica e exaustivamente sobre o fato, mas os rostos fechados, os passos rápidos, as compras exageradas (quando o mercado abriu e teve o que comprar) e as TVS ligadas no LocalNow, ouvindo o dia todo as notícias, checando o movimento da tempestade/furacão no Accuweather.

Tudo isso e muitas outras coisas que até me fogem da percepção e compreensão sinalizam que o perigo ainda está por aí. Ou por lá...

Faço parte de tudo isso, repetindo inclusive as mesmas ações, mas ao mesmo tempo não faço.

Fico analisando esse povo, cultura e circunstancias.

Sentindo essas coisas todas, pensando sobre a fúria da natureza, lamentando, admirando o altruísmo e iniciativa dos anônimos.

Observando a solidariedade em massa, e o humano sendo só humano.

Sempre tive medo de filme apocalíptico ou de desastres.

Dessas situações que o ser humano não tem nada a perder. Quando perde parte da sua humanidade e coerência.

Mas como tudo, tem o outro lado da moeda... a solidariedade, as orações, os temores coletivos e as ações todas.

Parece que existe uma estranha fantasia coletiva que não se fala sobre isso fora da segurança do seu lar...vai que né.

Não ouso desafiar, olhando as inundações e desastres fora lançamos um olhar de assombro e respeito.

Uma prece silenciosa pelos que sofreram diretamente e o respiro de alivio ao entrar em casa com tudo seco e preservado.

Tenho pra mim que o clima que paira no ar só vai melhorar quando o sol abrir de vez, por enquanto, mesmo quando a chuva para, o peso das nuvens faz conluio com os sentimentos e a melhor coisa que posso dizer pra descrever é que Tudo fica estranho.

Quando a beleza dos raios dourados sobre o verde cintilante após tanta chuva e tragédia puder ser maior do que as imagens ruins, haverá uma nova aliança, agora com os bons sentimentos, de renovação e disposição de recomeço.

Aí os corações e pessoas talvez estejam prontos para a necessária retomada.

Estou francamente feliz e muitíssimo grata por poder ser bastidora da tragédia e não estar digitando esse texto de algum abrigo municipal onde as pessoas que precisam estão sendo acolhidas.

Não dá pra entender como tudo isso se dá...porque o furacão entrou por lá e não por outro lado, porque algumas cidades devastadas e outras em segurança, porque o Texas e não outro estado...enfim.

Claro que os meteorologistas devem ter algumas respostas, mas aquela lá, que só a espiritualidade maior tem, o porque cada um, em cada lugar, certo ou errado, passando por isso.

Essa não teremos...e aí de novo só resta a constatação da nossa pequenez e humanidade, e a prece.

Agradecimento. Compaixão. Proteção. Amparo. Amor.

Mentalizo colo e entendimento pra essas pessoas, e convido quem está longe para que possa fazer o mesmo.

Inclusive e especialmente para os corações mais duros e machucados, a dor ensina mas machuca muito antes.

Me ajuda quando quero meditar ou rezar por alguém ou situação... imaginar uma luz que sai do meu peito e se dirige a esses locais, tocando os peitos que estão por lá, depois a fronte, produzindo um suspiro ou um sorriso. O que der, se der...

A nossa intenção é o mais importante e acredito piamente que essa energia chega.

A intenção predominante é acalmar e acolher, aliviar e abraçar.

Eu fiz isso muitas vezes no Brasil em outras circunstancias, em situações próximas ou não.

As vezes presenciando um desastre natural, batida de carro ou casal brigando. Pode ser aplicado em muita situações diferentes, sempre que se pede, não precisamos medir tragédia.

Enfim, quem puder e quiser fazer tá aí o jeito que eu faço...não tá certo nem errado...é meu jeito, que explanei só pra facilitar pra quem não tem uma ideia de como ajudar e deseja, ou mesmo quem está longe e quer poder fazer algo.

O #PrayforTexas esteve em alta no twitter, acredito que tem muita gente rezando, mas nunca é demais... e vamos combinar que quem pudesse receber um abraço a la brasileira, certamente ficaria melhor, imediatamente.

Somos bons nisso então vamos lá.

Por ultimo, já que falei tudo isso vou abusar mais um pouco...

...se você for mentalizar, mentaliza também uma corrente de pessoas de mãos dadas com o mesmo objetivo que você.

Funciona pra mim, me dá força e ajuda a focar.

Juntos somos mais né.





PS. Se for fazer, me coloca aí de mão dadas com você...
...tá parei!

Até breve.









Comentários

  1. Orei muito esses dias. E falar com você foi uma sensação de gratidão.
    Gratidão porque estão bem, por saber que as crias estão bem. E hoje a foto que você me envio de um sol tímido com o verde em destaque me deu a sensação de paz.
    E que mesmo ao meio dessa tempestade tudo ficará bem.

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